quinta-feira, janeiro 10, 2008

* O Imperador Presidente

Dom Pedro II pode ser considerado um dos governantes mais democratas do Brasil. Prova disso, temos a liberdade de imprensa nos seus quase 50 anos de reinado; as inúmeras charges sobre o imperador jornais da época; os partidos republicanos; os conspiradores, inclusive nos quadros do exército, no Colégio Pedro II, e no próprio governo. O Imperador dizia, segundo José Murilo de Carvalho, na excelente biografia sobre o monarca (Companhia da Letras, 2007), que preferia ser um presidente da Republica, e via a obrigação de governar como um fardo. Muitos foram os que se arrependeram nos anos seguintes ao golpe militar que depôs o monarca e acabou com a monarquia no Brasil, instalando uma República dominada inicialmente por militares, principalmente na Ditadura de Deodoro da Fonseca.
O Poder Moderador, que permitia ao monarca interferir nos outros 3 poderes, sempre foi usado pelo Imperador, o que não dava aparência de verdadeira democracia ao Brasil. Mesmo assim, apesar de ser considerado um conservador, mesmo na sua época, o monarca trouxe ao Brasil alguns avanços. É claro que eles poderiam ter sido maiores


O exemplo de D.Pedro II poderia ser seguido pelos presidentes brasileiros. O desapego ao poder. Não há evidência nenhuma que após o golpe de Estado que o desapeou do trono, ele tenha tramado algum tipo de resistência para se manter no poder; o desapego a pompa, o Imperador era visto andando no meio de multidão do Rio de Janeiro, e recebia no Palácio, tanto na Quinta da Boa vista, quanto no Paço, num dia pré determinado da semana aqueles que quisessem falar ao monarca. A liberdade de imprensa. Diferente de seu pai, não há notícia de que D.Pedro II tenha mandado empastelar nenhum jornal, ou mandado prender nenhum jornalista por tê-lo criticado. Aquela época já havia a imprensa tendenciosa (a imprensa nunca é neutra, nem tem condições de ser), e maliciosa. O Imperador muitas vezes foi caricaturado ou criticado injustamente. Não foram poucos os jornalistas e os donos de jornais que criticavam o Imperador, ou pediram com urgência a República, e que se arrependeram após a sua proclamação, devido à falta de liberdade que ela trouxe. Poucos foram os anos da nossa República em que tivemos liberdade de fato de imprensa. Na República Velha essa liberdade nunca existiu de fato; na República Nova de 1930 a 1937, só existiu por um curto período entre 1934 e 1935. E na outra República Nova, a de 1946, somente houve liberdade de imprensa até 1947, quando o partido Comunista foi cassado. Ali passou existir a imprensa do golpe, Carlos Lacerda que a encabeçava pedia o fim da legalidade, e que os militares dessem um golpe nos seus adversários. Mas as liberdades democráticas estão ai para todos, da mesma forma que suas restrições só não atingem que as restringe. Como Albert Camus, no “Homem Revoltado”, a liberdade absoluta é de um só, a igualdade não existe se não for para todos. Lacerda, como os jornalistas do golpe de 1889 tiveram aos poucos seus direitos restringidos.
Hoje, no período mais democrático da história do Brasil, vemos jornalistas gritarem por um golpe, por soluções não constitucionais, ou por golpes constitucionais. Será que eles não leram nos livros de história, que essa caixa de pandora, que é a fuga da legalidade, vai nos trazer mais dissabores do que qualquer desvantagem? Desestabilizar um governo constitucionalmente eleito, que tem a aprovação da maioria da população, significa desestabilizar o país. O que eles têm a ganhar, devemos nos perguntar? Um certo jornalista, chegou a intitular o Presidente de sua anta. Esse tipo de crítica que não é construtiva, pelo contrário é vulgar, antidemocrática, não ajuda em nada no desenvolvimento da democracia no país. Que publicação séria, desmotivada, deixaria um colunista seu publicar esse tipo de artigo?
Críticas ao governo atual devem existir, existem, mas devem ser conseqüentes e balizadas. Como todas as críticas aos governos constitucionalmente eleitos, dentro da normalidade política. A história nos mostra grandes exemplos. O que fazem hoje com o governo atual é algo parecido ao que se fazia no período de 1950/4 no governo de Getúlio Vargas, ou no período de João Gullar. A imprensa tem que pensar o seu papel no golpe militar. Da mesma forma que pensa o seu papel positivo na abertura política. D. Pedro II nos deixa dois exemplos, o primeiro é de que o governante, mesmo se atacado injustamente, não deve atacar a imprensa, e sim seguir os caminhos legais de reparação, mas nunca de perseguição; os jornalistas devem pensar, que a normalidade constitucional sempre é o melhor, pois após os Golpes os primeiros a serem calados são eles mesmos.

* O Passado não é para ser esquecido

O Passado, livro do argentino Alan Pauls, não é para ser esquecido. O livro narra a história de Rímini, que ao terminar um relacionamento de 12 anos com Sofia, tenta reconstruir sua vida. Mas ela se torna uma sobra, que o acompanha, e pode estar a qualquer tempo em todos os lugares. Ele vai morar com uma jovem modelo, Vera, que é atropelada ao vê-lo numa rua com a ex-esposa; casa-se com uma ex-colega de faculdade, Carmem, com quem tem um filho, mas o relacionamento termina de forma abrupta, após o filho deles ser raptado por Sofia. Rímini se degrada, mas é salvo pelo treinador físico do pai; na sua nova vida se relaciona com uma aluna, e ao ser preso, após o fim de mais um relacionamento, é resgatado por Sofia. Ela aparece e desaparece da sua vida ao longo dos anos. Mas mesmo distante, suas cartas e sua presença, nos símbolos, são constantes.
O livro é sensacional por diversos motivos: um deles por tratar uma história de amor como um fluxo constante. Rímini não quer mais Sofia, mas não sabe viver sem ela, ou não consegue viver sem ela. Ela tenta cobrar as dívidas de amor, que nunca poderão ser pagas. Quer que continuem amigos, que se telefonem, que se vejam. Mas Rímini quer esquecer. E a única coisa que ele consegue esquecer são as línguas estrangeiras que ele fala. Fatal para sua vida profissional de tradutor. O Passado continua.
Pauls inventa um pintor, Riltse. Criador da Sick Art, ele é algumas vezes elo entre Rímini e sua sombra, Sofia. Os dois apaixonados pelos quadros bizarros do pintor, se encontram na sua arte. Assim, Rímini percebe que nunca conseguirá se livrar de presença de Sofia.
Considerado um dos melhores autores vivos da América Latina, Pauls tem um pouco de Cortázar e Proust. Ele aniquila o tempo, sem tirar sua violência. Rímini amadurece, mas Sofia continua lá. Da mesma forma, Sofia continua a esperar por Rímini com o passar do tempo. A caixa que ela guarda com mais de 1500 fotos são provas vivas de um relacionamento que não existe mais, um cadáver que não quer ser enterrado. Rímini, não quer as fotos, não quer Sofia, não quer se lembrar do relacionamento, mas O Passado está ali, presente, não se deixa esquecer.
Tão atual, numa época de relacionamentos fugazes, das “filas” que andam freneticamente, dos namoros e casamentos descartáveis, O Passado não nos deixa esquecer do outro, daquele que sempre é considerado a parte mais fraca no relacionamento, que sofre mais com o final, que não quer esquecer, que não quer deixar acabar. Num mundo tão pouco enraizado, o final de um relacionamento duradouro pode representar o término de laços considerados sólidos, do início de um processo de solidão, e de depressão. Não dá para esquecer O Passado, por que ele está presente, ele está no nosso dia-a-dia, como Sofia na vida de Rímini. Na busca de uma vida menos ordinária, e de relacionamentos e pessoas não ordinários, não dá para deixar O Passado para trás. Como, se ao deixarmos O Passado tivéssemos a garantia, no futuro, de repetir todas as vilanias que cometemos com outros, ou ainda vê-las repetidas contra nós mesmos. Como no poema de Fernando Pessoa, cantado por Maria Bethânia, O Passado não nos deixa transformarmo-nos em gente vulgar. “Quanto a mim o amor passou/Eu só lhe peço que não faça como gente vulgar/E não me volte a cara quando passa por si/Nem tenha de mim uma recordação em que entre o rancor/Fiquemos um perante o outro/Como dois conhecidos desde a infância/Que se amaram um pouco quando meninos/Embora na vida adulta sigam outras afeições/Conserva-nos, caminho da alma, a memória de seu amor antigo e inútil”.
Não dá para esquecer O Passado, por que ele é a nossa única esperança no futuro, pois esquecê-lo significa revivê-lo, cometer todos os erros anteriores, repeti-lo infindavelmente, como se uma só vez não bastasse (einmal ist kein mal). Assim, Sofia tenta cessar seu sofrimento relembrando Rímini, na esperança de que ele volte. Rímini tenta esquecer Sofia, pois acha que aniquilar O Passado seria a única forma de viver diferente, de reconstruir o presente. Lembrá-la teria sido mais fácil. Mas como na vida teria não existe, Rímini segue o caminho mais difícil, o que nos permite ler no romance de Pauls uma verdadeira história de amor, sem início, meio e fim. Mas com início, meio, fins, e reviravoltas.
O livro inspirou o filme homônimo, dirigido pelo também argentino Héctor Babenco, com Gael Garcia Bernal no papel de Rímini. A não ser por ser linear, a narrativa do filme, não foge quase nada a do livro de Pauls. O tom sombrio, o tempo quase sempre nublado, dá o tom da tensão vivida por Rímini que a qualquer momento pode topar com o morto (o seu relacionamento), ou com a morta-viva (Sofia). A imagem de Sofia esperando Rímini na entrada de um museu para ver uma exposição de Riltse, num dia de tempestade que alaga quase toda Buenos Aires mostra o desespero dela em retomar O Passado. A calma de Rímini ao vê-la ilhada pela televisão transparece a sua ânsia de esquecê-lo.
Vi o filme e depois li o livro, e senti-me muitas vezes, tanto no cinema, nas duas vezes em que assisti, quanto nos momentos de leitura, Rímini e Sofia. O Passado que se quer esquecer é o mesmo que não se deixa esquecer. Entre o esforço de esquecimento, e a necessidade de (re)lembrarmos fica o presente, que a todo instante muda, e muda também a visão que temos do passado, e nos deixa claro que O passado é algo que temos que aprender a conviver com ele. Se temos que conviver com ele, o melhor é não esquecê-lo.


* Teremos uma presidente?

Somente em 1893 as mulheres ganharam direito a voto, isso na pequena Nova Zelândia, ainda, aquela época, colônia Britânica. Ainda na década de 1920, elas não podiam votar na maioria dos países ao redor do mundo. Nos Estados Unidos só conquistaram esse direito em 1919, e no Brasil em 1932. Somente após a Primeira Guerra Mundial que as mulheres conquistaram o direito ao voto em alguns países europeus, Inglaterra (1918), Alemanha (1919), Portugal (1931), na desenvolvida Suíça até a década de 1970, em alguns Cantões, as mulheres ainda não podiam votar. Na América Latina, o primeiro país a conceder o direito a voto para as mulheres foi o Equador (1929), na Argentina, país considerado mais desenvolvido da América do Sul, até a Segunda Guerra Mundial, somente em 1946 as mulheres passaram a votar.



Somente em 1893 as mulheres ganharam direito a voto, isso na pequena Nova Zelândia, ainda, aquela época, colônia Britânica. Ainda na década de 1920, elas não podiam votar na maioria dos países ao redor do mundo. Nos Estados Unidos só conquistaram esse direito em 1919, e no Brasil em 1932. Somente após a Primeira Guerra Mundial que as mulheres conquistaram o direito ao voto em alguns países europeus, Inglaterra (1918), Alemanha (1919), Portugal (1931), na desenvolvida Suíça até a década de 1970, em alguns Cantões, as mulheres ainda não podiam votar. Na América Latina, o primeiro país a conceder o direito a voto para as mulheres foi o Equador (1929), na Argentina, país considerado mais desenvolvido da América do Sul, até a Segunda Guerra Mundial, somente em 1946 as mulheres passaram a votar.



Mas não só de direito ao sufrágio se faz à participação feminina no mundo da política. A participação se estende também ao direito a serem votadas, e finalmente a serem eleitas. Muitas mulheres têm ocupado cadeiras nos parlamentos de diversos países. Mas no executivo as mulheres ainda têm avançado a passos mais lentos. Tivemos até hoje mais Primeiras-ministras do que Presidentes mulheres. Sirimavo Bandaranaike, do Sri Lanka, foi a primeira mulher a ocupar o cargo de Primeria-ministra no mundo. Ela exerceu a função em três períodos, de 1960 a 1965, de 1970 a 1977 e de 1994 a 2000. A primeira mulher a presidir um país foi Isabel Perón que sucedeu ao presidente Juan Domingo Perón, seu marido, de quem era vice-presidente, após sua morte em julho de 1974. Foi derrubada por um golpe militar em março de 1976. Isso na Argentina, que no ano de 2007 elegeu Cristina Kirchner presidente, mulher do então presidente Nestor Kirchner. Na América Latina cada vez mais mulheres têm conquistado a presidência de seus países. Os casos mais interessantes são de Violeta Chamorro na Nicarágua entre 1990 e 1996, viúva do ex-presidente Pedro Chomorro, e recentemente no Chile, quando Michelle Bachelet foi eleita em 2006. Primeira mulher escolhida para encabeçar o Estado pelo voto universal no Chile e na América do Sul.



No ano de 2008 teremos eleições presidenciais nos Estados Unidos, e Hillary Clinton, mulher do ex-presidente Bill Clinton, poderá ser a candidata do Partido Democrata. Durante o segundo governo Clinton Madeleine Albright foi Secretária de Estado, posto ocupado na segunda gestão de George W. Bush por outra mulher, Condoleza Rice. No Brasil, nas eleições de 2010 provavelmente termos como fortíssimas candidatas Dilma Russef e Heloísa Helena. Quem sabe não surgirão outras? O que mais se parece com governo feminino no Brasil foram às regências da Imperatriz Leopoldina, e da Princesa Isabel, beata e conservadora. Foi durante a sua segunda regência que finalmente a escravidão foi abolida no nosso país.


O século XIX foi o século das sufragistas, como ficaram conhecidas as mulheres que lutaram pelo direito ao voto feminino; o século XX foi o século da conquista do voto, e do início da participação da mulher na política, participando efetivamente de governos. Como exemplos importantes podemos citar em Israel, Golda Meir, primeira-ministra de 1969 a 1974, e na Grã-Bretanha, Margaret Thatcher, conhecida como a "dama de ferro", única mulher a ocupar o posto de primeira-ministra na história do Reino Unido, foi chefe do governo britânico de maior duração no século XX: 11 anos e 209 dias (maio de 1979 a novembro de 1990). O século XXI será o das mulheres presidentes e primeiras-ministras. Vejo uma reunião de presidentes do continente Americano dominada por mulheres. Será que seus maridos, primeiros-cavalheiros, vão fazer passeios turísticos e conhecer obras sócias enquanto elas decidem o futuro do continente?
Atualmente mulheres chefiam o governo ou são chefes de Estado e governo em diversos países do mundo. Além da Argentina e do Chile (América), temos mulheres chefiando a Alemanha (Europa), Coréia do Sul (Ásia), Moçambique (África) e Nova Zelândia (Oceania). No mínimo uma em cada continente. Ainda é pouco, mas já é um grande avanço.
Qual a importância de ter um mundo governado por mulheres? No mínimo um mundo mais justo do ponto de vista dos sexos. A participação da mulher nos cargos majoritários dos governos trás justiça a todas as mulheres excluídas, exploradas, subjugadas durante quase toda a história da humanidade. Isso no mínimo. Outras mudanças ocorrem nos governos femininos, como maior visibilidade e liberdade às mulheres. Ainda outras mudanças devem ocorrer, com o modo feminino de governar, temos que “pagar para ver”, e esperar outras revoluções que elas farão.











quarta-feira, janeiro 09, 2008

De volta!

Muito tempo se passou desde o momento em que um bloqueio intelectual me privou de escrever e agora início de 2008, quando retomo o blog. Apaguei o que foi necessário, postagens e comentários. Espero poder voltar a escrever, já voltei, logo, logo terei novas postagens. Mudei muito nesse tempo, estou em constante mudança, e espero continuar assim. Mas a experiência do blog me mostra que a essência não muda muito. Depois de tanto tempo me identifico muito ainda com o que eu escrevi. Espero que os meus pouquíssimos leitores gostem das mudanças.
O que me fez voltar a escrever... Isso vocês vão ver, espero que vejam. Mas preciso dar respostas pra mim, e preciso encontrar respostas para o mundo.

domingo, dezembro 18, 2005

Direitos Humanos


Everytime I listen to somebody says ‘human rights’ I take my gun!

Os direitos humanos, ou melhor, o rol de direitos fundamentais e garantias individuais que costumamos chamar de direitos humanos, ainda não foram absorvido e entendido pelo público em geral. Quando o assunto é direitos humanos aparecem muitos absurdos como: só serve para bandidos, não serve para nada, e outros. Fico perplexo com a reação de ódio que muitas pessoas têm quando ouvem alguém defender os direitos humanos. Muitas pessoas quando ouvem alguém falar sobre direitos humanos sacam logo as suas armas. Diz a lenda que Hermann Göring, marechal de campo de Hitler, comandante da Luftwafe, dizia “Quando ouço falar em cultura saco logo minha pistola”. Esta é a reação dos ignorantes, ou daqueles que têm más intenções.
Os direitos, chamados humanos nasceram de várias lutas pelos direitos. Se hoje temos o mínimo de liberdade, liberdade de expressão, somos considerados iguais perante a lei, temos direito de um processo legal é porque em outros momentos muitas pessoas lutaram e morreram por estes direitos.

Ao final da Revolução Inglesa, ou Revolução Gloriosa, em 1689, foi escrita a Carta e Direitos, na qual se consolidou o governo parlamentar inglês e o império da lei, além de ter sido instituído o Hábeas Corpus. Outras duas revoluções foram importantes na evolução dos direitos humanos, a Revolução Americana e a Revolução Francesa. A primeira declaração dos direitos fundamentais em sentido moderno, foi a “declaração dos direitos do Bom Povo da Virgínia”, em 1776. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, adotada pela assembléia constituinte francesa em 1789 adotou os princípios da liberdade, da igualdade, da fraternidade e da legalidade. A revolução francesa implementou o pensamento dos filósofos iluministas. O pensamento liberal do Iluminismo encontrou expressão prática nas reformas da revolução. Limite de poderes do governo, eleição do parlamento que representava os governados, igualdade perante a lei e proteção dos direitos humanos, como o hábeas corpus, julgamento pelo júri, liberdade de religião, de palavra e de imprensa.

A revolução francesa procurou reconstruir a sociedade tendo por base o pensamento iluminista. A declaração dos Direitos do Homem sustentava a dignidade do indivíduo, exigia respeito a ele e atribuía direitos naturais a cada pessoa, e proibia ao estado negar-lhes tais direitos. Insistia em que o Estado não têm o dever maior do que promover a liberdade e a autonomia do indivíduo.
As declarações de direitos dos séculos XVII, XVIII e XIX apesar de terem representado um grande avanço na questão das garantias individuais e dos direitos fundamentais, ainda voltavam-se basicamente para a garantia formal das liberdades, como o princípio da democracia política ou da democracia burguesa, ou seja, uma igualdade abstrata, somente perante a lei.

Durante o século XX, os movimentos sociais fizeram pressão no sentido da obtenção da igualdade social, ou seja, a igualdade material. Os Estado tem o dever de prover os indivíduos para que eles possam se desenvolver em todas as suas aptidões.
Com a segunda guerra mundial e os seus 50 milhões de mortos, e a formação das Nações Unidas, foi proclamada a igualdade entre todos os seres humanos, declaração que não havia sido feita pela suas antecessora a Sociedade das Nações, nem pelos 4 grandes vencedores da primeira guerra mundial (Eua, Grã-Bretanha, França e Itália), para indignação dos japoneses. O ONU também proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH). Pela declaração os direitos humanos são considerados valores aceitos universalmente, ou seja, por todos os países integrantes das nações unidas. Mesmo assim, não existem direitos fundamentais por natureza. Os direitos humanos são resultado de um consenso histórico.

Sendo os direitos humanos resultado de um consenso histórico, existe a necessidade constante de sua defesa. Mesmo não sendo hoje um problema a fundamentação dos direitos humanos, temos um outro grande problema, garantir a implementação dos direitos e, impedir quer apesar das declarações e das constituições as garantias individuais e os direitos fundamentais do cidadão sejam violados. Como esses direitos surgiram em diversos momentos históricos, eles também podem regredir em outros momentos no futuro. Por isso a necessidade de estarmos sempre atentos, lutando sempre para o seu cumprimento e denunciando os abusos a os atentados aos direitos humanos.


Para muitas pessoas mesquinhas, com pensamento medieval direitos humanos é “coisa para defender criminosos”. Não entendem que o Estados de Direito, os direitos e garantias fundamentais devem ser para todos, pois se não forem para todos não serão para ninguém. Arbitrariedades sempre são rapidamente socializadas.
Pois, o caminho da paz e da liberdade passa certamente pelo reconhecimento e pela proteção dos direitos humanos. O estado de guerra não desconsidera apenas o direito à vida, mas suspende a proteção de outros direitos fundamentais do homem, tais como os direitos de liberdade. Portanto, fica muito clara a ligação entre os defensores das armas, das guerras, da pena de morte com os mesmos que atentam os direitos humanos, senhores da guerra. Enquanto eles sacam suas armas contra os direitos de todos, nós defendemos os direitos de todos, para todos.

O Amor da Minha Vida






O amor da minha vida!


São 6:00horas da manhã de domingo, acabei de chegar em casa, o final de semana foi bom, o balanço é positivo, mas não encontrei o amor da minha vida. Todo mundo quer amar e ser amado, mas algumas pessoas querem mais, querem um amor intenso, um amor para a vida toda, o amor da sua vida. Eu sou uma dessas pessoas. Até algum tempo atrás, pensava ter encontrado este tipo de amor, mas para vida toda ficou só a decepção, o engano. Mágoa da minha vida? Não sei, sei que agora vida nova!



Cansado de relacionamentos que acabam sem nem mesmo terem começado, parti em busca de um amor para sempre, do amor da minha vida. Acho que fui buscar no lugar errado, mas será que existe um lugar certo para se encontrar um amor? Algumas pessoas buscam na Internet, outras no trabalho, num grupo de amigos, ou ainda, outras esperam um encontro casual na rua, num bar, etc. Eu fui buscar na noite.
Beijar, beijei, ficar, fiquei, mas meu amor de verdade, tudo o que eu queria, não encontrei. Será que não se encontra mais amor da vida toda na balada? Nada disso!
O amor da vida toda não se encontra, se constrói. Da próxima vez que receber um “eu te amo” no primeiro mês de namoro vou desconfiar, se não terminar o relacionamento na mesma hora. Amar é uma construção! No início temos paixão, que com o tempo poderá tornar-se amor, mas só com o tempo.



Buscamos intensamente alguém que vá preencher nosso vazio, nosso tempo, nos ajudar a resolver nossos problemas, alguém que vai dizer quem realmente somos, nos mostrar nosso eu interior, nossa cara metade. Buscamos tanto, que confundimos paixão com amor, temos ânsia de amar.


Mesmo assim, com toda essa busca para o amor somos muito exigentes, minha cara metade deve ser muito especial, pois eu também sou muito especial. Todo mundo, bem lá no fundo, pensa assim. Mas enquanto o amor verdadeiro não vem, vamos nos divertindo com casos passageiros, alguns muito passageiros, muito comuns nas festas de hoje. O ficar tornou-se uma instituição, algumas pessoas até contam com quantas ficaram na noite, outras nem se dão o trabalho de contar. Assim parece, a primeira vista, que para os mais bonitos amar é mais fácil. Não é verdade! Para os bonitos ficar é mais fácil. Amar é muito difícil para todos.


Nós somos muito exigentes quando o assunto é o amor de verdade, mas quando alguém nos balança, logo pensamos se tratar do amor de verdade. Agora me lembro de três filmes, que são muito importantes para mim como exemplos de idealização e exigência quando o assunto é amor. Os dois primeiros, “Beijando Jéssica Stein” e o “Beijo Hollywoodiano” contam histórias de pessoas que idealizam o par romântico, idealiando tanto que não conseguem encontrar um par romântico real. Jéssia Stein de tanto idealizar não consegue encontrar ninguém, pois ela tem uma lista de atributos que o homem ideal deve ter, e outra lista de defeitos que ele não pode ter. Aqueles pretendentes que tiverem atributos de menos ou defeitos de mais, logo deixam de ser possibilidade para a senhorita Stein.


Como eu disse, não amamos ninguém no primeiro encontro, no máximo sentimos um forte tesão, quem sabe pode até acontecer o início de uma paixão. Mas eu não acredito em amor à primeira vista. Como eu posso amar quem eu não conheço. Para amar eu tenho que conhecer, conviver, viver. Mas Jéssica Stein não pode amar ninguém, pois ela está preocupada com as qualidades e defeitos dos homens que ela encontra, ela não se deixa conhecer ninguém.

Já no “Beijo Holllywoodiano”, o personagem principal idealiza tanto o par ideal, o que torna o encotro muito difícil, pois ele já encontrou sua cara metade, mas não pode acreditar que teve tanta sorte, tornando o futuro o relacionamento quase impossível. Não vivemos o ideal, mas o real. Se idealizarmos muito, teremos problemas com a realidade. O terceiro filme que me vem à cabeça é “E o vento levou!”. Neste, a personagem principal passa toda a história iludida, achando que ama o mocinho, o homem ideal, par perfeito para todas as mulheres, o homem virtuoso. Ela precisa perder tudo para perceber que o seu grande amor, sua cara metade estava todo o tempo ao seu lado.


Assim perdemos muito, deixamos todo o tempo de aproveitar o presente procurando um amor de verdade para o futuro. Na verdade, não sei se todas pessoas procuram um amor de verdade. Acho mesmo que não. Mas meu final de semana teria sido muito melhor se eu apenas tivesse buscado diversão. O amor da minha vida, eu tenho ainda minha vida toda para encontrar, ou melhor, para construir. Se isso acontecer. Passamos grande parte das nossas vidas imaginado como deveria ser, no momento que acontece nem percebemos.


Hoje, domingo o céu estava nublado pela manhã, durante a tarde choveu. Mesmo assim o calor abafado continuou. Foi um final de semana produtivo.


Agora que o inferno em minha vida se foi,
Percebo que as chamas, que ardiam em meu peito,
Eram chamas de dor
Não chamas de paixão ou de amor.

Se amei?
Como amei!
Mas em retribuição ao meu amor,
Recebi mentira, traição e dor.
Foi tudo o que me deu, meu velho amor.

Então, acho que não foi amor!
Não foi amor, foi apenas dor.
Algumas vezes senti dor, de dor,
Outras vezes, dores de amor.
Ora ardia em chamas de amor,
Ora em inferno de dor.

E o inferno que eu ganhei,
Foi com amor que eu o plantei.
Mas agora, dar-me-á apenas amor,
Meu novo amor dar-me-á amor sem dor.
E o fogo do amor?
Agora eu sei.

O Poder Americano



Em seu novo livro “Formação do Império Americano – da guerra contra a Espanha à guerra contra o Iraque” (2005, Ed. Civilização Brasileira), Luiz Alberto Moniz Bandeira, Doutor em Ciência Política (USP), autor de vários livros sobre a relação Brasil-Estados Unidos, analisa a formação do Império Americano, e as conseqüências deste poder para todo o mundo.
Para Moniz Bandeira, o Estados Unidos atingiram o estágio ultra-imperialista, e lidaram o cartel das potências imperialistas (G-7). Mas mesmo assim, a potência americana tem como principal objetivo manter seu status quo e impor sua vontade para todos os países do globo, inclusive às outras potências. Os Estados Unidos têm utilizado os lemas da democracia, liberdade e direitos humanos para defender seus interesses, mesmo que para isso atentem contra governos democráticos, contra a liberdade e contra os direitos humanos.





Não é de hoje que os governantes americanos apresentam políticas unilateralistas. O presidente Monroe, em 1823, ao proclamar a América para os americanos não perguntou aos outros países do continente qual era a sua vontade. O presidente Wilson ao entrar na primeira Guerra Mundial, colocou a América como parâmetro a ser seguido por todos os países. A América seria um modelo de democracia e liberdade a ser seguido. Durante a Segunda Guerra Mundial ao proclamar as quatro grandes liberdades da Carta do Atlântico, o presidente Roosevelt não perguntou aos países interessados se queriam a “proteção” americana. Os Estados Unidos tornavam-se os guardiões do Oceano Atlântico. Em 1956, o presidente Eisenhover colocava a América como árbitro moral do mundo. Hoje o presidente Bush proclama, quem não estiver conosco está contra nós.
“Goerge W. Bush havia justificado a guerra contra o Iraque, alegando que Saddam Hussein não respeitava as resoluções da ONU, possuía armas de destruição em massa, e era um tirano, que violava os direitos humanos. Goerge W. Bush, porém, não respeitou a ONU, ao atacar unilateralmente o Iraque, mentiu, pois lá não havia armas de destruição em massa, nem tinha ligações com al-Qa’ida, e a revelação das torturas praticadas nos campos de concentração de Guantánamo e Abu Ghraib, afrontando tanto a Geneve Convention quanto a própria Universal Declaration of Humans Rights, acabou até com a desculpa de que atacou o Iraque para libertar o povo da tirania de Saddam Hussein. Saddan Hussein era efetivamente um tirano, mas um tirano local, enquanto a pretensão de George W. Bush, cumprindo os objetivos do Project for the New American Century, sempre foi implantar, atropelando as instituições multilaterais, uma tirania global, na qual só aos Estados Unidos caberia decidir que leis e tratados deveriam ou não acatar, ao mesmo tempo em que estendia sua jurisdição a outros países e ditava o que outros governos deviam ou não fazer, sem considerar suas culturas, crenças e ambições, seus interesses nacionais. Sua administração até inventou a categoria de “enemy combatant” para denegar justiça e manter indefinidamente 520 prisioneiros em Guantánamo e milhares de outros no Iraque, sem o mais elementar direito humano, sujeitos a tribunais militares, que secretamente funcionavam.”





Para serem senhores do universo, os Estados Unidos precisam investir bilhões de dólares, anualmente, em defesa. Para impor a sua lei e sua ordem ao mundo a América precisa de um grande exército e de armas modernas e caras. No ano de 2004, o orçamento de defesa americano chegou a quase meio trilhão de dólares, ou seja, 500 bilhões (somente pouco mais de 10 países têm o PIB superior a 500 bilhões de dólares). Os Estados Unidos tinham no final do século XX mais de 800 bases militares no exterior, com a presença militar em quase 60 países. Moniz Bandeira identifica os interesses da indústria militar e do setor de defesa e segurança com a política externa americana. Somente no século XX, os Estados Unidos participaram de mais de 200 intervenções militares, uma média de duas por ano.



Roma foi o último Império Mundial. De tão grande, tão caro, tão corrupto, o maior império do mundo se esfacelou, e a América? Que destino ela reserva para nós? Será que vamos viver ainda a era americana, quando o império implantará a sua lei, jurisdição, poder, cultura, de forma inexorável por todo o mundo? Ou nós veremos em poucos anos o declínio do império americano, a invasão dos bárbaros e, a própria queda do império americano? Para estas perguntas o professor Moniz Bandeira não tem respostas, são apenas questionamentos meus. Seja como for, o papel dos Estados Unidos é preponderante em política internacional, e tudo isso influi diretamente em nossas vidas, em nosso mundo.