Dom Pedro II pode ser considerado um dos governantes mais democratas do Brasil. Prova disso, temos a liberdade de imprensa nos seus quase 50 anos de reinado; as inúmeras charges sobre o imperador jornais da época; os partidos republicanos; os conspiradores, inclusive nos quadros do exército, no Colégio Pedro II, e no próprio governo. O Imperador dizia, segundo José Murilo de Carvalho, na excelente biografia sobre o monarca (Companhia da Letras, 2007), que preferia ser um presidente da Republica, e via a obrigação de governar como um fardo. Muitos foram os que se arrependeram nos anos seguintes ao golpe militar que depôs o monarca e acabou com a monarquia no Brasil, instalando uma República dominada inicialmente por militares, principalmente na Ditadura de Deodoro da Fonseca.O Poder Moderador, que permitia ao monarca interferir nos outros 3 poderes, sempre foi usado pelo Imperador, o que não dava aparência de verdadeira democracia ao Brasil. Mesmo assim, apesar de ser considerado um conservador, mesmo na sua época, o monarca trouxe ao Brasil alguns avanços. É claro que eles poderiam ter sido maiores
O exemplo de D.Pedro II poderia ser seguido pelos presidentes brasileiros. O desapego ao poder. Não há evidência nenhuma que após o golpe de Estado que o desapeou do trono, ele tenha tramado algum tipo de resistência para se manter no poder; o desapego a pompa, o Imperador era visto andando no meio de multidão do Rio de Janeiro, e recebia no Palácio, tanto na Quinta da Boa vista, quanto no Paço, num dia pré determinado da semana aqueles que quisessem falar ao monarca. A liberdade de imprensa. Diferente de seu pai, não há notícia de que D.Pedro II tenha mandado empastelar nenhum jornal, ou mandado prender nenhum jornalista por tê-lo criticado. Aquela época já havia a imprensa tendenciosa (a imprensa nunca é neutra, nem tem condições de ser), e maliciosa. O Imperador muitas vezes foi caricaturado ou criticado injustamente. Não foram poucos os jornalistas e os donos de jornais que criticavam o Imperador, ou pediram com urgência a República, e que se arrependeram após a sua proclamação, devido à falta de liberdade que ela trouxe. Poucos foram os anos da nossa República em que tivemos liberdade de fato de imprensa. Na República Velha essa liberdade nunca existiu de fato; na República Nova de 1930 a 1937, só existiu por um curto período entre 1934 e 1935. E na outra República Nova, a de 1946, somente houve liberdade de imprensa até 1947, quando o partido Comunista foi cassado. Ali passou existir a imprensa do golpe, Carlos Lacerda que a encabeçava pedia o fim da legalidade, e que os militares dessem um golpe nos seus adversários. Mas as liberdades democráticas estão ai para todos, da mesma forma que suas restrições só não atingem que as restringe. Como Albert Camus, no “Homem Revoltado”, a liberdade absoluta é de um só, a igualdade não existe se não for para todos. Lacerda, como os jornalistas do golpe de 1889 tiveram aos poucos seus direitos restringidos.
Hoje, no período mais democrático da história do Brasil, vemos jornalistas gritarem por um golpe, por soluções não constitucionais, ou por golpes constitucionais. Será que eles não leram nos livros de história, que essa caixa de pandora, que é a fuga da legalidade, vai nos trazer mais dissabores do que qualquer desvantagem? Desestabilizar um governo constitucionalmente eleito, que tem a aprovação da maioria da população, significa desestabilizar o país. O que eles têm a ganhar, devemos nos perguntar? Um certo jornalista, chegou a intitular o Presidente de sua anta. Esse tipo de crítica que não é construtiva, pelo contrário é vulgar, antidemocrática, não ajuda em nada no desenvolvimento da democracia no país. Que publicação séria, desmotivada, deixaria um colunista seu publicar esse tipo de artigo?Críticas ao governo atual devem existir, existem, mas devem ser conseqüentes e balizadas. Como todas as críticas aos governos constitucionalmente eleitos, dentro da normalidade política. A história nos mostra grandes exemplos. O que fazem hoje com o governo atual é algo parecido ao que se fazia no período de 1950/4 no governo de Getúlio Vargas, ou no período de João Gullar. A imprensa tem que pensar o seu papel no golpe militar. Da mesma forma que pensa o seu papel positivo na abertura política. D. Pedro II nos deixa dois exemplos, o primeiro é de que o governante, mesmo se atacado injustamente, não deve atacar a imprensa, e sim seguir os caminhos legais de reparação, mas nunca de perseguição; os jornalistas devem pensar, que a normalidade constitucional sempre é o melhor, pois após os Golpes os primeiros a serem calados são eles mesmos.




























