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sábado, fevereiro 16, 2008

* Pequenas Mentiras

A chuva, fina e fria, cai intermitente por mais de dois dias tristes. Quando a temperatura diminuía muito, as pequenas gotas, que precipitavam tal qual bailarinas, girando no ar, formavam flocos de neve. Tão frágeis que derretiam ao tocar o solo. Havia mais de três semanas que eles não viam o Sol, encoberto por nuvens pesadas vindas da Sibéria, alguém disse. Na primeira semana, houve uma nevasca terrível, e a neve se acumulou em camadas, nas calçadas, telhados, árvores, tudo tinha ficado branco. Quando a neve começou a derreter, havia lama em todos os lugares, além de placas de gelo no chão, que não se desmancharam porque a temperatura voltou a cair. E naquele domingo havia chuva, fina, fria, intensa. Eles queriam sair, ver a rua. Patrícia queria tomar um sorvete na Piazza di Roma, a sorveteria mais famosa da cidade. No último verão, quando não estavam fora da cidade, iam todos os domingo naquele estabelecimento que vendia felicidade em bolas de chocolate, e em outros sabores. Resolveram sair de casa, e saíram feitos astronautas, com o corpo coberto por várias camadas de roupas.
Caio havia aprendido a mentir com Patrícia. Ela lhe contara muitas histórias. E ele não podia acreditar em todas, parecia ser fantasia, mania de grandeza, loucura. Fingira acreditar. Aceitava ouvir tudo, pois não tinha mais ninguém para lhe fazer companhia naquele inverno. Não tinha com quem caminhar nas ruas geladas, sorvendo um sorvete de creme e flocos, de braços dados. Mas aprendia com as histórias dela. Anos depois ele agradeceu tê-la conhecido. Todas às vezes, quando foi necessário inventar uma história, ele se lembrava dela, sua professora de mentira. Uma vez, quando caminhavam por uma estrada de chão batido, indo para um castelo medieval dentro de uma floresta de pinheiros, ele resolveu contar uma história. Resolveu inventar uma história fantástica, para ludibriá-la. Mas ela, no seu jeito de moça recatada, e ao mesmo tempo espevitada, era muito mais esperta do que ele, e percebeu, que o rapaz magro, e sensual que lhe dava o braço, que às vezes dormia em seu quarto, que parecia ser o seu melhor amigo, estava lhe contando uma mentira. Eles discutiram, e ela pediu que nunca mais lhe mentisse. Ele com o orgulho de homem jovem ferido, prometeu a si mesmo, ainda com o rosto rosado, resultado da vergonha por ter sido desmascarado, ao ser pego na mentira, que ia enganá-la. Achou que poderia produzir uma mentira perfeita, a aquela que ela não desconfiaria.
No domingo, quando desciam a rua em direção ao rio, ainda não tinham terminado de tomar os seus sorvetes. Ela vertia algumas lágrimas, estava triste, e o tempo não ajudava. Ele começou a contar uma história, que teria se passado na ausência dela, quando estivera viajando para o campo. Ela riu ainda com o rosto molhado, das coisas que ele falou, mas pediu que ele explicasse novamente a história, pois não tinha entendido direito alguns fatos. Na segunda exposição, ela percebeu que ele mentia. Ela parou na calçada, no momento em que iam atravessar a rua. Ele foi, ela ficou. Nunca havia inventado uma história, nem contado uma mentira para ele. Mas ele, inseguro, sentia-se inferior a ela. Armou-se num mundo imaginário que não existia, único mundo onde conseguia forças para estar ao lado dela em igualdade. Ele aprendeu a mentir com ela. Ela nunca mentiu para ele. Depois daquele dia só se viram esporadicamente, se cumprimentavam com os olhos, quando se viam em algum lugar. Quando ele atravessou a rua, da última vez em que estiveram juntos, ela deu meia volta e retornou pela mesma rua, subindo a rua em direção à sorveteria. Precisava de mais uma bola de chocolate, talvez duas ou três. A chuva fina e fria havia se transformado em pequenos flocos de neve. A paisagem, com o casario antigo ao fundo, era linda. Ela tinha novamente lágrimas nos olhos, mas sentia-se feliz, com toda a sua verdade.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

* Quando Ivan aprendeu a nadar

Por um segundo, desses que duram uma eternidade, ele pensou que fosse cair, e ir de encontro com a areia quente da praia. Depois que tudo ficou cinza, fechou os olhos. Suas pernas pararam de sustentar o peso do seu corpo, e era inacreditável como ainda conseguia estar de pé. Aqueles pés que estavam sob tudo, queimavam sobre a areia escaldante da praia de Ipanema. Ele não queria chorar, e seria como deixar o mofo, que estava guardado lá dentro dele, bem escondido, no fundo, aparecer se chorasse de pé. Não foi por estar perdendo os sentidos que se sentou na areia tórrida, foi apenas para que ninguém o visse nublar aquele dia ensolarado com suas lágrimas reprimidas. Quando se jogou no chão, escondeu a cabeça no meio das pernas, entre os joelhos, como se quisesse privar o mundo de um segredo, e deixou que toda aquela raiva, sofrimento e medo viessem à tona, em forma de um jorro copioso, que marejou seus olhos. Chorou! Ele chorou como se fosse uma criança assustada, e a cada soluço, ainda tentava segurar o choro, imaginado que pudesse reprimir aqueles sentimentos que o afligiam. Mas não podia, tinha chegado no ponto final. Tudo nele era insustentável, e não dava mais para viver, como se nada tivesse acontecido, como se fosse ainda a mesma pessoa, como se naqueles meses que tinham antecedido o verão uma tempestade não o tivesse balançado feito amendoeira em ventania, revirado seus galhos, levado suas folhas, derrubado seus frutos. Ora, porque ele continuava a ser tão tolo? O mundo todo estava ali, era só esticar o braço e pegar, mas ele relutava em viver. Não tinha forças para levantar, não tinha forças para nada. E deixou-se ficar sentado, deixando o mundo passar, deixando o mundo existir, enquanto sua pele caia, suas unhas cresciam, seu tesouro era descoberto. Não se permitiu se permitir, nem ficar, nem partir. Levantou a cabeça, por outro longo segundo, e fitou o sol, que o cegou. Quando finalmente voltou a enxergar, percebeu toda a energia do mundo. Percebeu, que para continuar a vida, teria que ser ele mesmo, e só ele poderia ser ele mesmo, e só ele poderia se libertar. Não era permitido ser ordinário e feliz ao mesmo tempo. As vicissitudes da vida devem ser bem vividas. E depois de tanto chorar, levantou-se pro mundo, deu alguns passos, ainda desconcertados, como se fossem os primeiros de sua vida, até chegar na borda do mar. Mergulhou. E foi assim que Ivan aprendeu a nadar.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

* Conto, mas não conto.... Aquela quinta


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Aquela quinta-feira pareceu ser a mais bonita em muito tempo, para Carlos, o céu estava azul e límpido, como depois de um dia de tempestade. Ivan nunca tinha sentido nada como naquele dia. Eles haviam se encontrado no antigo prédio da Universidade do Brasil, que hoje abriga o Instituto de Filosofia e Ciências Sócias. Um prédio pomposo, de quatro andares e pé direito alto, fachada de pedra, e ar aristocrático, trazido da época em que abrigava a Escola Politécnica. Contraditoriamente, o prédio olhava majestosamente para a praça em frente, cheia de mendigos, cachorros abandonados, fezes, montanhas de papel e papelão, carrocinhas com todo o tipo de tralha, um cheiro fétido insuportável. Carlos chegou primeiro e entrou no prédio para se abrigar da terrível cena do mundo que se expunha na praça. Ivan chegou ávido por Carlos, e entrou no prédio procurando-o. Viu-o sentado num banco de plástico, que balançava para um lado e para o outro, equilibrando-se sobre o próprio peso e as pernas tortas. O enorme calor no interior do pátio obrigava todos a buscar a sombra, o Sol, apesar de proporcionar um dia lindo, estava inclemente. Os rapazes resolveram ir para algum lugar onde tivesse ar condicionado. Sem falar nada, como se se comunicassem apenas por telepatia, saíram pela rua sem direção. Eles estavam em sintonia perfeita, e poderiam dizer tudo com os olhos. Um sabia o tempo todo o que o outro queria. E isso ao mesmo tempo em que os inquietava, também era motivo de felicidade. Não tinham um endereço certo, queriam estar um com o outro. O Centro Cultural Banco do Brasil seria um destino certo, não fosse a necessidade deles de não encontrar com ninguém. Ivan os levou ao Centro Cultural da Caixa Econômica Federal, que tem um lounge com poltronas brancas, e um ar condicionado potente que baixa a temperatura para algo em torno de 21º C. Um oásis próximo ao Largo da Carioca. Os rapazes se esgueiraram entre camelos, passantes, pedintes. Eles pareciam correr, tão rápido se locomoviam. Esperavam apenas por algum momento feliz, porque não existia felicidade para os dois. Quando entraram no Centro Cultural, foram diretamente para o lounge, onde havia uma exposição sobre cinema. No centro da grande área, ladeada por janelas, paredes brancas cobertas com papel que imitava uma biblioteca, e um café num dos cantos, haviam montado no seu centro uma mini-sala de cinema, com projetor, que exibia um curta, e um sofá para dois. Os rapazes andaram pelo labirinto que envolvia a micro-sala de exibição, e entraram na penumbra. Tinham vontade de se abraçar, seus corpos se chamavam, mas não se permitiram. Ficaram lá por um tempo indizível, como se fosse todo tempo do mundo, mas pode não ter durando mais do que 5 minutos. Eles se olhavam com sorriso nos olhos, sentaram-se num sofá grande, entraram novamente no cinema, dessa vez, sem graça, como se fossem cometer algum crime. Sentiam-se felizes somente com a presença um do outro, mas não disseram isso, não demonstraram nada em palavras ou gestos. Imaginavam que não precisavam, pois o outro deveria saber, e deveria sentir o que cada um sentia. De repente, logo que saíram pela terceira vez da sala de cinema, Ivan disse que tinha que ir para casa, como se algo fosse se partir, como se fosse a ultima coisa que tivesse que fazer em sua vida. Seu rosto era só contrariedade, e levantou-se num ímpeto, em direção a saída, repetindo, com a voz embargada e a cabeça abaixada, como se procurasse algo perdido no chão. “Cara, tenho que ir pra casa. Eu vou pra casa, cara. Eu tenho que ir”. Carlos tentou negociar, e consegui que fossem tomar um suco. Ele pediu goiaba, e Ivan jaca. Ele queria experimentar coisas novas! Foi somente na lanchonete, de volta ao calor, ao barulho, a confusão que eles conversaram sobre eles mesmos. Inicialmente, Ivan disse não ter tempo, e sorveu o suco rapidamente, para poder livrar-se da enxurrada de palavras que acho que viriam em forma de explosão. Mas Carlos não disse muito, apenas ressaltou que desde que eles haviam se conhecido ele não queria apenas ser amigo de Ivan. “Além disso”, falou Carlos, olhando fixamente nos olhos de Ivan, “você não pode ser indiferente a mim, como tentou ser. Eu não quero somente a tua amizade, mas não sei o que você quer de mim”. Ivan sorriu, e meneou a cabeça com quem diz não, ele não queria ouvir nada. Mas Carlos continuou. “Ou você gosta, ou você não gosta. Mas indiferença, nunca! Comigo sempre tem sido assim, e quando não, faço com que seja”. Ivan tentou se levantar, como se quisesse demonstrar o quanto não queria aquela conversa, mas Carlos segurou-lhe o braço, e continuou a cuspir-lhe as palavras, ainda que de forma delicada. “Ivan, eu não quero ser seu amigo. Não é esse tipo de relação que eu busco com você. Existem no mundo muitas pessoas ordinárias, e eu não sinto que você esteja dentre elas. Por isso, quero que você deixe o sentimento que tem ai dentro extrapolar, ou então, se vá. Prefiro mesmo que se vá. Assim eu sofro uma vez só”. Ivan então, se dirigindo assustado, para a porta da lanchonete, como se o mundo fosse acabar com a tempestade de se anunciava nas nuvens escuras e espessas que via no céu, disse: “eu tenho mesmo que ir. Além disso, vai chover muito. Por quê não podemos ser aquilo que fomos lá dentro? Por quê não podemos ser o que temos sido até agora?” Os dois saíram sob a chuva. Ivan ia à frente, estava apreensivo, mas sentia-se muito feliz. Carlos tinha se esvaziado, não conseguiu falar o que queria, nem falou como queria, sentia o peso do tempo, e toda a sua violência. Como se uma porta se fechasse sem que ele pudesse passar e tivesse ficado preso. Ouvia claramente uma voz que lhe dizia, “o mundo é assim, não é um lugar para felicidade, deixe passar, o que não pode mudar”. Mas ele não podia se conformar, queria se revoltar. Carlos deixou Ivan no seu ponto de ônibus. Ivan não pode perceber se o seu rosto estava molhado por lágrimas ou pelos pingos da chuva. Cada um seguiu seu caminho.

domingo, janeiro 13, 2008

* Conto... Mas, não conto!

Vai ai um micro-conto. Para dizer a verdade prefiro os contos aos micro- contos, mas num blog fica difícil publicar contos grandes. Mas haverá continuação... Será que é uma novela, em partes? Acho que é uma novela... Isso tudo é uma novela.

*

Carlos chegou ao hotel em São Paulo pouco antes das 10 horas da manhã. A balada tinha sido maravilhosa, ele não teria muito tempo para dormir, o relógio gritaria impreterivelmente às 12 horas, e deveria estar de pé, para um compromisso. Tomou um banho morno, o que amolece o corpo e aproxima o sono, e se deitou. Pouco mais de uma hora depois acordou irritado e com cara de mal-humor. Havia sonhado um sonho muito real. Sonho parecido com muitos outros, que o irritava pela manhã, tamanha a veracidade, a quantidade de informação que ele não conseguia processar. No sonho, ele via uma rua que ziguezagueava como serpente, num bairro do subúrbio do Rio de Janeiro, se via parado perto de uma estação ferroviária, na entrada de um motel. Tinha mais alguém no seu sonho, que aparecia e desaparecia, como em filme de suspense, sem que pudesse ver o rosto. Isso lhe dava a impressão de que a pessoa fosse desconhecida, mas havia algo, uma sensação, um cheiro, um clamor no ar, por aquele desconhecido, como se se conhecessem, ou como se viesse a se conhecer. Ainda no sonho se viu deitado na cama do hotel de São Paulo, e estava com esse desconhecido, que ele não podia adivinhar quem era, nem beijar sua boca, nem sentir seu cheiro, nem lhe tocar. O sonho o deixou intrigado. Como se tudo aquilo fosse capricho de algum deus grego que havia mostrado apenas uma parte de algo importante, mas não o deixara ver tudo.
Alguns meses depois, Carlos foi convidado por um amigo para ir a um encontro (Orkontro) de uma comunidade do Orkut, o qual ele havia relutado em participar, mas em pouco tempo havia se tornado um aficionado. Não que aquele fosse o seu primeiro encontro desse tipo, mas ele havia se prometido a não participar de mais nenhum. Resolveu entrar na Comunidade onde se patrocinava o encontro e “passear” entre as postagens e ver as pessoas que haviam escrito mensagens afirmando que iriam. Um dos participantes era Ivan. Carlos se perdeu no perfil dele.
Mas Ivan chamou sua atenção não pela beleza. Não que ele não fosse bonito, mas porque parecia ser uma pessoa de muito conteúdo e atitude. Carlos ficou algum tempo lendo seu perfil no Orkut, viu as fotos, suas comunidades, entrou no seu blog e leu alguns contos, observou tudo. Gostou! No dia do encontro, como Carlos chegou atrasado, eles se encontraram na Cinelândia, quando todos já rumavam em direção à Lapa. Ivan e Carlos não conversaram muito. Parecia haver alguma incompatibilidade entre eles, tal qual pessoas de gostos totalmente diferentes. Mas o que os afastava, também os aproximava, e continuaram se vendo, sempre com outros amigos comuns. Menos de um mês depois do Orkontro, surgiu uma viagem para São Paulo, em grupo. Ivan, que para todos afirmava ser heterossexual, se incomodou em ter que dividir o mesmo quarto com Carlos, homossexual assumido. Mas a viagem transcorreu sem problemas, e teve até momentos de muita descontração, riso e diversão. Dois dias depois da volta, Carlos, encantado com a inteligência, a sensibilidade, a simpatia, o bom humor de Ivan, resolveu mandar-lhe um e-mail afirmando suas suspeitas sobre a sexualidade do amigo. Teve medo de não ser bem recebido, de perder o novo amigo, mas mesmo assim investiu-se de coragem e enviou a mensagem. Por outros dois dias trocaram e-mails, alguns até contendo grosserias. Os dois iram se encontrar numa festa no final daquela semana. Então resolveram contemporizar, e acabar com as pendengas existentes entre eles. Como se isso colocasse ponto final naquela história.
Encontraram-se na entrada da festa. Ivan estava acompanhado de uma amiga, e Carlos de um amigo. Pareciam, que estavam seguros. Ivan pareceu a Carlos mais bonito do que nunca. Os dois estavam irradiantes. A música da festa estava muito boa, parecia que ia transpô-los para outros mundos, dançaram muito, beberam algumas cervejas, para descontrair e afastar certa tensão existente entre os dois, e deixar acontecer a tempestade de tesão, que parecia se aproximar, devido a intensidade das nuvens pesadas que se localizavam sobre suas cabeças. Depois de uma boa seqüência de música, na qual eles estiveram dançando com seus corpos muito próximos, como se fossem se fundir, resolveram dar uma saída da pista de dança. No caminho Carlos sentiu seu braço ser agarrado pela mão de Ivan, que apertava forte. Sentiu seu corpo ser puxado na direção a um canto mais ermo. Ivan segurou seu rosto e o beijou forte. Os dois ficaram algum tempo se beijando, abraçados. Carlos era o primeiro homem que Ivan havia beijado. Tudo para ele era novo, e sentia suas pernas tremer. Ele não sabia como agir. A barba rala de Carlos fazia cócegas no pescoço suado de Ivan, e deixava bem claro para ele, que aquele que o beijava era um homem. A barba o lembrava a cada beijo, que Carlos era homem. Foi como se alguém repetisse baixinho no seu ouvido, “você está beijando um homem”. Ivan ficou sem graça, e resolveu parar.
Carlos, apesar da rapidez das coisas ficou muito feliz. Quando estava em São Paulo com Ivan, na semana anterior, num dos raros momentos de descontração que eles haviam tido no quarto, deitaram-se na cama de casal para conversar, lado a lado. Foi o momento mais próximo que os dois tinham compartilhado até então, e Carlos pôde se lembrar do sonho estranho que tivera da vez anterior, em que havia estado naquele hotel. Ivan se arrepiou, pois ele morava bem próximo daquele lugar que havia aparecido no sonho de Carlos.
Ivan era mais do que um sonho, pensou Carlos. Ele não queria assustar o rapaz, mas também queria deixar claro que o seu sentimento não era apenas de amizade. Ivan era muito mais, e ele queria tê-lo por perto.