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segunda-feira, abril 14, 2008

Falta

No fundo do poço
Não há corda
Não acordo
Não há acordo

Pedras
Água
Lama

Sem socorro
Não há socorro
Que socorro?
Que sufoco!

Falta caçamba
Falta cabeça
Falta!

sábado, fevereiro 23, 2008

* Amores são dores!


Faz tanto tempo,
E não há mais tempo.
Não lembro, nem esqueço
Passou e não penso.

Penso!
Mas não penso,
É um passado enterrado,
Morto, desfigurado.

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Espero que 2008 seja melhor para o meu coração, do que foi 2007, 2006 (que coração?), 2005. Há tempos que não há verdade, e encanto, somente ferrugem no sorriso.
Para falar a verdade, fui feliz sim! Para ser mais verdadeiro, sou feliz, porque não admito outra coisa, mas gostaria muito de ter relacionamentos menos ordinários.
Quero muito ver a luz do Sol no meio da noite, esquecer o mundo lá fora, me perder em beijos e sorrisos, compartilhar palavras e pensamentos, andar de mãos dadas e fazer todas aquelas cenas de carinho em público, e deixar que o resto seja imperfeito.


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Quantas mágoas eternas!
Quantos amores terrestres!
Dores são dores,
E amor não se esquece!

terça-feira, fevereiro 12, 2008

* Memórias de papel

Entrego-me de braços abertos
E encontro o chão
Eu guardo um diário de recordações
Fotografias amareladas, cartas mal escritas,
Que preguiça!
Não preciso revirar nada
Apenas fechar os olhos
Não preciso revirar nada
Apenas me deitar no chão

Entrego-me de braços abertos
E não te encontro, não
A minha caixa velha, de papelão
Já está cheia!
E não há mais espaço
Na memória, para lembranças
Entradas de cinema, livros,
Filosofias, poemas
Uma pena!
Não preciso revirar
Velharia!
Não preciso lembrar
Não queria!

Apenas fechos os olhos
E lembro, do que não queria
Apenas fechos os olhos
E vejo, o que não devia
Tua barriga deitada sobre a minha
Tuas pernas trançadas
Entre as minhas
Excita-me!
Não queria, não devia

Agora abro a caixa
E jogo tudo sobre o chão
Não há espaço para você
Nas minhas memórias

Nem na minha caixa de papelão

segunda-feira, janeiro 28, 2008

* Sou o que não pode ser

Se por acaso alguma coisa em mim fosse verdade, seria ficcional. Eu sou mentira, até que se prove o contrário.


PERECÍVEL

Um dia frio
Tempo estranho
Não saio do quarto
Nem tomo banho
Pereço
Mereço

Quando nasci
Um dia que nunca lembrarei
Fedia
Perecia
Merecia

Dentro de você
Nunca esqueço
Um dia que não teve preço
Deixo-me e adormeço
Inerte acordo
Pereço
Mereço-te

Todo dia pereço
Envelheço
Mereço
Data de validade indefinida
Perecível a vida


São apenas palavras, rabiscadas, inacabadas, vomitadas, não escritas. Devolvo a falta de esperança que tens na vida, lamba, você mesmo, todas essas tuas inúmeras feridas. Tenho muitos anos, tantas milhas navegadas. Nos muitos portos em que já aportei, quase sempre me apaixonei. Tua pouca idade, não te faz novo, apenas tolo e moribundo. Sei. Cantar, não sei, mas canto. Amar, não sei, mas amo. Sou imperfeito, isso também sei. Não há nada para chorar, cansei. Triste es tu, tão velho e não aprendeu a amar.





quarta-feira, janeiro 23, 2008

* SUFOCAR

É necessário sufocar
Fumar 25 cigarros
Sem parar

Se jogar no mar
Mergulhar
Afundar
Sem saber nadar
Se afogar
Parar de respirar
Sem gritar
Sufocar

Menstruar o sangue das veias
Depois de se cortar
Extirpar
Expiar
Expirar
Sem excogitar

Apertar o cinto no pescoço
Até o sangue parar
De circular
Desmaiar
Parar de respirar
Pra nunca mais voltar
Pra nunca mais desejar