domingo, dezembro 18, 2005

O Poder Americano



Em seu novo livro “Formação do Império Americano – da guerra contra a Espanha à guerra contra o Iraque” (2005, Ed. Civilização Brasileira), Luiz Alberto Moniz Bandeira, Doutor em Ciência Política (USP), autor de vários livros sobre a relação Brasil-Estados Unidos, analisa a formação do Império Americano, e as conseqüências deste poder para todo o mundo.
Para Moniz Bandeira, o Estados Unidos atingiram o estágio ultra-imperialista, e lidaram o cartel das potências imperialistas (G-7). Mas mesmo assim, a potência americana tem como principal objetivo manter seu status quo e impor sua vontade para todos os países do globo, inclusive às outras potências. Os Estados Unidos têm utilizado os lemas da democracia, liberdade e direitos humanos para defender seus interesses, mesmo que para isso atentem contra governos democráticos, contra a liberdade e contra os direitos humanos.





Não é de hoje que os governantes americanos apresentam políticas unilateralistas. O presidente Monroe, em 1823, ao proclamar a América para os americanos não perguntou aos outros países do continente qual era a sua vontade. O presidente Wilson ao entrar na primeira Guerra Mundial, colocou a América como parâmetro a ser seguido por todos os países. A América seria um modelo de democracia e liberdade a ser seguido. Durante a Segunda Guerra Mundial ao proclamar as quatro grandes liberdades da Carta do Atlântico, o presidente Roosevelt não perguntou aos países interessados se queriam a “proteção” americana. Os Estados Unidos tornavam-se os guardiões do Oceano Atlântico. Em 1956, o presidente Eisenhover colocava a América como árbitro moral do mundo. Hoje o presidente Bush proclama, quem não estiver conosco está contra nós.
“Goerge W. Bush havia justificado a guerra contra o Iraque, alegando que Saddam Hussein não respeitava as resoluções da ONU, possuía armas de destruição em massa, e era um tirano, que violava os direitos humanos. Goerge W. Bush, porém, não respeitou a ONU, ao atacar unilateralmente o Iraque, mentiu, pois lá não havia armas de destruição em massa, nem tinha ligações com al-Qa’ida, e a revelação das torturas praticadas nos campos de concentração de Guantánamo e Abu Ghraib, afrontando tanto a Geneve Convention quanto a própria Universal Declaration of Humans Rights, acabou até com a desculpa de que atacou o Iraque para libertar o povo da tirania de Saddam Hussein. Saddan Hussein era efetivamente um tirano, mas um tirano local, enquanto a pretensão de George W. Bush, cumprindo os objetivos do Project for the New American Century, sempre foi implantar, atropelando as instituições multilaterais, uma tirania global, na qual só aos Estados Unidos caberia decidir que leis e tratados deveriam ou não acatar, ao mesmo tempo em que estendia sua jurisdição a outros países e ditava o que outros governos deviam ou não fazer, sem considerar suas culturas, crenças e ambições, seus interesses nacionais. Sua administração até inventou a categoria de “enemy combatant” para denegar justiça e manter indefinidamente 520 prisioneiros em Guantánamo e milhares de outros no Iraque, sem o mais elementar direito humano, sujeitos a tribunais militares, que secretamente funcionavam.”





Para serem senhores do universo, os Estados Unidos precisam investir bilhões de dólares, anualmente, em defesa. Para impor a sua lei e sua ordem ao mundo a América precisa de um grande exército e de armas modernas e caras. No ano de 2004, o orçamento de defesa americano chegou a quase meio trilhão de dólares, ou seja, 500 bilhões (somente pouco mais de 10 países têm o PIB superior a 500 bilhões de dólares). Os Estados Unidos tinham no final do século XX mais de 800 bases militares no exterior, com a presença militar em quase 60 países. Moniz Bandeira identifica os interesses da indústria militar e do setor de defesa e segurança com a política externa americana. Somente no século XX, os Estados Unidos participaram de mais de 200 intervenções militares, uma média de duas por ano.



Roma foi o último Império Mundial. De tão grande, tão caro, tão corrupto, o maior império do mundo se esfacelou, e a América? Que destino ela reserva para nós? Será que vamos viver ainda a era americana, quando o império implantará a sua lei, jurisdição, poder, cultura, de forma inexorável por todo o mundo? Ou nós veremos em poucos anos o declínio do império americano, a invasão dos bárbaros e, a própria queda do império americano? Para estas perguntas o professor Moniz Bandeira não tem respostas, são apenas questionamentos meus. Seja como for, o papel dos Estados Unidos é preponderante em política internacional, e tudo isso influi diretamente em nossas vidas, em nosso mundo.

2 comentários:

Ed Dreamer disse...

Concordo q o papel dos Estados Unidos é até mesmo dominante na política internacional. Conseqüentemente em tudo, não só na política. Afinal, é na verdade um império americano... Mas creio q a queda desse império não vai demorar muito... Justamente pela invasão dos bárbaros, como vc citou no último parágrafo.

p.s.: mas vc escreve bem pacas hem!!

Magazine ÓPe disse...

Seus posts são muito bons, continue assim.
Sempre dando uma pitada de História, estudo do qual adimiro muito.

E sobre os E.U.A., nenhum império dura pra sempre; é só "olhar" o passado.

Bom, seu blog já está no meu favoritos. Agora dá uma passada no meu.

Abraço!